Quem sou eu, que me acho tão esperto?
                Quem sou eu, que me acho tão importante?
                Como faço pra viver o privilégio,
                De ser mais um errante ?

                O mundo a minha volta me confunde,
                O mundo a minha volta me admira,
                Um mundo onde se vivem tantos,
                Poucos vivem o mundo.

                Ser mais um entre tantos,
                Único entre poucos,
                De tanto faz de tanto importa,
                Todo mundo nasce morto.

Sabe aquela angústia que te assola profundamente ? Aquela que você tenta sentar e conversar com alguém e não consegue formular o porque. E se consegue não sai da maneira como queria ?
Me sinto assim o tempo inteiro.
Não sei quais das questões enumerar primeiro, mas tenho ideia de quais são.
Como todo mundo, a questão da solidão, a questão do relacionamento. Todo mundo precisa de alguém, todo mundo. Por mais que não queira admitir, ou que esteja grilado com alguma coisa ou outra. Todo mundo precisa de alguém.

O problema é que quase sempre a pessoa que você acha que precisa não precisa de você. E isso te deprime, te deixa transtornado, às vezes a ponto de repensar todas as suas ações ou escolhas. Te afeta de uma maneira que não é capaz de descrever a ninguém.

Quem sabe a pessoa até ache que precise de você, ou goste de estar com você. Mas nunca da maneira como você gosta de estar com ela. E isso te deprime.

 

Enfim, sem divagações, hoje acordei quebrado.

Nos dois sentidos da palavra, mal consigo me mexer pela casa e não sei se tenho dinheiro pra almoçar amanhã. Na verdade não me importo tanto, mas é uma preocupação.

Sentei na cama, tirei as remelas do canto dos olhos, e dei uma olhada em volta.

Vida de merda.

Criei coragem para levantar da cama e ir até o vaso, precisava muito mijar. Sempre preciso muito mijar pela manhã. Depois disso voltei a cama e deitei de barriga para cima, pensando na vida.

Vida de merda.

São 3 horas da tarde e eu acabei de acordar. A essa hora todo mundo já trabalhou metade do dia, tendo suas preocupações de sempre; comida, segurança, conforto, afeto. E aqui estou; basicamente sem nenhuma delas. Não que eu me importe em não tê-las. Comida é básico, qualquer bico me consegue um pouco. Segurança é uma ilusão, todo mundo tenta se cercar dela mas no final ela não vale porra nenhuma. Conforto é frescura, todos ser humano tem que ter a capacidade de se adaptar a qualquer ambiente. Afeto é o problema.

Sim, o problema. Pense em como sua vida mudou a partir dos seus 14 ou 15 anos, quando você começou a gostar, sentir tesão, por outras pessoas.

Afeto é o fator crucial na infelicidade de cada um.

Todos nós nos resumimos a gostar e sermos gostados. Você baseia suas ações, sua personalidade, em uma espécie espelho das pessoas em que está interessado. E isso acaba com sua vida.

Sim, acaba com sua vida.

Mas não, não vamos entrar nessa discussão agora. Eu ainda preciso levantar da porra dessa cama e ir atrás de um trampo. Já se passou uma semana em que não trabalho, o dinheiro acabou. Não tenho dinheiro pra comprar pão. Abro a gaveta ao lado da minha cama e cato todas as moedas por ali; 35 centavos. Ridículo.

Sento-me na cama, esfrego os olhos, dou uma respirada profunda e decido não levantar. Deito-me denovo.

O teto. O teto é reconfortante, ele é plano, monocolorido, monótono, seguro, fiel, acolhedor. Triste também, ridículo, admito. Mas acolhedor. Ele sempre ouve o que tenho a dizer, e sempre permanece calado, estático, a qualquer coisa que lhe diga.

Estou deitado, sem vontade de fazer qualquer coisa da vida; não tenho ambição, não quero dinheiro, não quero um grande amor. Eu queria apenas viver minha vida, sem perturbações. Mas a nossa complexa e organizada sociedade não acolhe pessoas que não tenham algum desses três sonhos. O ambicioso é alguém com visão, o que busca dinheiro é pé no chão, e o que busca o grande amor é um sonhador. Mas não se engane, ele é um sonhador apreciado, acolhido.

Sonhadores como eu são lixo, vagabundos, folgados. Não querer ter uma carreira, ter uma família, é sinal de fraqueza. É um distúrbio!

A sociedade é um distúrbio. A sociedade é um lixo.

E volto a dormir.

“O ardor do cheiro de podridão que pairava no ar tornava o clima sufocante, juntamente com os gemidos daqueles mortos errantes.”

Com questão ao post do dia 19, o tema, que surgiu em meio a conversas não usuais, era: “Zumbis”.

O cheiro de borracha queimada, o gosto de sangue, o gosto do asfalto, os sussurros da multidão que se juntava para presenciar os últimos momentos de vida da vítima, o motorista ainda gritando pneus a quase um quilômetro dali, a dor a princípio que foi em seguida deixada de lado no desespero da busca por algum momento epifânico. Busca frustrada. Nada na mente que valesse a pena todos aqueles anos de existência, nada que justificasse aquela morte súbita, nada que fosse equiparável na balança com a indignação de ser vítima de tamanha casualidade, de tamanha banalidade. Busca frustrada, sobrou a dor.

Sangue escorria em suas pernas, de seu braço esquerdo, de sua boca, de algum lugar na sua cabeça, que ele sabia por ter escorrido nos seus olhos, ele queria que alguém o tocasse, talvez a dor da perna fraturada em três pontos, dos ossos que apontavam para fora da pele do seu braço, do pé que mirava o lado contrario do outro. Ninguém tinha coragem de movê-lo, tanto eles quanto ele sabiam que ele simplesmente morreria, todos só queriam apreciar o momento, mesmo que na parte acordada de suas mentes eles tivessem pena, quisessem compartilhar a dor daquele homem, na realidade só estavam extremamente curiosos com o cessar de uma existência. Mente desligada, dor desaparecendo, respiração ofegante, mais rápida, mais rápida, mais profunda, mais profunda, sem fôlego, mais forte, cessou.

Por yagosantanna.

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Felipe nunca gostou muito de nadar, quando era mais novo teve um acidente na piscina de um amigo e quase morrera… Após isso ele passou a evitar contato com grandes porções de água sempre que possível. Porém o inevitável um dia há de acontecer… Felipe foi convidado para passar o ano novo com sua namorada na casa de lago dos pais dela,a princípio ele não queria ir mas acabou aceitando… Os argumentos de sua namorada e o seu lado racional o convenceram de aquele medo de infância era algo bobo, infantil.

E assim Felipe o fez; foi com a família de sua namorada para a casa de lago passar o ano novo. Chegaram lá no dia da virada, arrumaram a casa para a festa que dariam a noite, prepararam a comida, e escolheram as roupas… Enfim, todos os preparativos estavam prontos. Quando finalmente escureu e as pessoas começaram a chegar para a festa da virada, a namorada de Felipe o levou para o pequeno Pier que havia no fundo da casa. De início Felipe ficou com medo, mas logo percebeu que aquilo era paranóia sua e que ele deveria aproveitar a noite.

Ele e sua namorada sentaram então na ponta do Pier, ficando com os pés sobre a água fria do lago… A Lua estava cheia naquela noite, iluminando toda a superfície do lago e criando um reflexo distorcido de si mesma sobre as negras águas que iluminava. Felipe se perdeu então por um momento, absorto no reflexo da Lua sobre as águas ele viajou por um breve momento.

Nesse mesmo momento um tio de segundo grau de sua namorada estorou uma garrafa de champagne alguns metros atrás deles, sua namorada, assustada, soltou um grito e se levantou rapidamente para ver o que acontecia… Felipe nem ouvira o barulho da garrafa de campagne estourar, mas se desequilibrou com o impulso que sua namorada deu e caiu no lago.

Após alguns segundos pode-se ouvir então um grito agudo abafado vindo da direção do pier… Felipe boiava sobre água com uma poça de sangue ao redor de si, sua namorada jazia caída no Pier aos prantos tentando gritar alguma coisa e o tal tio de terceiro grau havia solto a garrafa de champagne e estava agora em choque observando a cena.

Pena que, no momento do grito, a globo havia anunciado que o ano novo havia chegado. Felipe então havida ficado na história; só mais um que morreu ano passado.

Por quirino!

O vazio, o vazio era tudo.

Nada via, nada pensava, e nada sentia.

De repente um lampejo, uma imagem, sons e sensações… Tudo começou a clarear, e logo pode ver as correntes de fumaça que preenchiam o céu. Não que se importasse com aquilo – não que se importasse com coisa alguma. Percebeu que apesar da moleza corporal podia se levantar; não que ele tenha pensando que conseguiria se levantar, ele apenas o fêz.

Algo começou a penetrar no intenso vazio de sua existência, algo que fez seu corpo estremecer dos pés a cabeça e o fez sentir a fome que lhe corroía por dentro. Aquilo era ao mesmo tempo ódio e prazer, ódio pela dor exorbitante que destruía o vazio em que se encontrava antes. E prazer por saber que a solução estava perto… Ele podia sentir o cheiro de carne, e ele sabia que era de carne que sentia fome, carne fresca – carne viva.

O movimento então foi súbito. Sua pernas começaram a se mover quase que involuntáriamente, sua corrida era insana e descontrolada… Tudo o que queria era saciar o desejo por carne, o desejo era tão intenso que se sobrepunha a todas as outras sensações estranhas. Tudo o que via era borrões, tudo o que sentia era o cheiro de carne, e tudo o que sabia é que desejava consumi-la.

Começou então a ouvir gritos da direção a qual corria, só então pode perceber que outros corriam ao seu lado. Porém eles não tinham o cheiro de carne fresca, sua carne era fétida e morta… Não mais servia para saciar a fome. Mais gritos. Ele sabia que estava próximo, o cheiro suor da pessoa que gritava já penetrava por suas narinas pútridas e fazia sua mente se perder em uma mistura de prazer e ansiedade.

Uma curva a direita feita desesperadamente e lá estavam… Ele podia ver os 4 seres em cima de um pedestal de pedra rodeado por outros igual a ele. Mas eles tinham algo nas mãos que, de alguma forma, emitiam luzes e barulhos enquanto faziam os seus iguais irem ao chão como se fossem bonecos. Mas nada importava, até porque em nada pensava… Apenas o desejo o mantinha correndo, o desejo era o motivo da sua existência e da sua persistência.

Quando se aproximou do pedestal de pedra  o tumulto era tamanho que ele não mais conseguia prosseguir… O barulho era intenso, o tumulto era grande, e o cheiro era delicioso. Foi justamente o cheiro que o deixou histérico, o ódio se misturou ao prazer e ele se lançou por cima de um dos seus iguais que atrapalhavam o seu caminho até o pedetal. O pulo foi alto e ele acertou em cheio um homem que segurava uma das máquina de fazer barulho e luz.

Apenas a sensação da carne fresca em suas mãos foi o suficiente para leva-lo a total histeria. Sua boca voou animalescamente no pescoço do homem, que em questão de segundos foi reduzido a sangue e pedaços desconexos de carne ainda viva.

E então um barulho, um clarão.

Nada mais via, nada sentia, e nada pensava.

E tudo se tornou vazio, e o vazio se tornou tudo.

Por quirino!

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Quente. Tudo que corria dentro do meu cérebro além de litros de sangue se acumulando em um lindo coágulo era o ardor que subia do asfalto, o mormaço que cozia minha testa e sobrancelhas era suficiente para queimar até os solados das botas que batiam no chão a alguns quilômetros daquela imensa rodovia. Dentes. Lembrei-me da razão pela qual eu me contorcia e me queimava no sol escaldante no meio do nada com alguns outros apenas me encarando e mirando, uma ardida e desesperadora arcada dentária rasgando um pedaço do meu braço, deixando o traço vermelho do meu sangue escorrer rápido por toda minha roupa, em seguida um tiro e o tombo do animal, inferior a humanos, morto que me mordeu. Se ao menos eu tivesse sido mais cuidadoso.

Há algumas horas um grupo de sete pessoas, eu incluso, fortemente armadas caminhava em direção à base militar que se encontrava a quilômetros de qualquer grande aglomerado urbano no intuito de evitar qualquer agitação desnecessária. Nós, sobrevivendo, marchávamos devagar, porém constantemente, e abríamos fogo contra tudo aquilo que se movia de maneira suspeita. Um grupo de quatro mulheres, um garoto de doze anos e dois homens caminhava rumo aos militares, e para toda junção que cria qualquer possibilidade de relações de convivência há conflitos, como os que havia dentro da nossa gangue.

Quatro mulheres, uma única morena, duas loiras e uma negra, mas sempre tive um apreço especial pelas morenas e foi com ela que estabeleci o conflito. A convivência forçada se incumbiu do papel de extremar a relação tanto no nível emocional quanto nível físico, o que não era de forma alguma um fator benéfico, servia apenas para agravar o estado de pânico que rondava nossos cérebros e me proporcionar menos horas de sono. Mas ainda assim, os laços de confiança dentro do grupo, principalmente o meu com a morena, eram inabaláveis assim como nossas miras e capacidade de agir rapidamente quando qualquer gemido selvagem estourava no ar.

A sensação era de que alguém estivesse pisando com a sola do pé por inteiro em minha cabeça forçando-a contra o asfalto que queimava, enquanto outro alguém desfiava lentamente meu estômago, rasgando tudo dentro do meu abdômen enquanto raspava meus pulmões que pediam por ar. A luz ficava insuportável, os sons abafados. Eu podia ouvir a morena chorando. Mas na realidade eu pensava achar que ela estava chorando, por que eu queria que estivesse na mesma medida que eu queria não despejar toda a culpa daquele acidente sobre ela. Eu sentia cheiro de sangue, mas não havia nenhuma ativamente sangrando em mim, e a presença deles me encarando ficava insuportável, eu torcia para aquela dor passar para que eu pudesse investir contra eles e arrancar pedaços deles.

A rodovia estava bloqueada por uma fila enorme de carros num imenso engavetamento. Decidimos contornar e nos atentar para qualquer “sobrevivente” dos carros e adentramos na mata que margeava a rodovia. Galhos se quebrando, suor escorrendo. Uma primeira investida, gravata e sapatos, berrando, o animal se jogou na direção da negra. Todos atiramos, ele sequer chegou perto dela. Uma segunda investida, cabelos ruivos, animal barulhento, tentou me atacar, dei dois tiros na cara dela e ela tombou. A terceira investida foi infeliz para nós. Do meio do nada surgiu o animal, negro, enorme, braços gigantescos, envergadura gigante. Todos atiramos, ninguém na cabeça, ela não se deteve e alcançou negra, arrancou-lhe um pedaço do pescoço, ela gritou, sangue jorrou, disparos na cabeça dele, e a negra tombou, olhando para cima, deitada no chão, ela tremia e tentava conter o sangramento moral do seu pescoço, eu fitei os olhos dela, engatilhei a arma e puxei o dedo.

Minha testa provavelmente já havia derretido e ficaria grudada no asfalto se eu me virasse, mas ainda assim eu me virei. Tentei não me contorcer mais, olhar para o céu e para o grupo que se posicionava a minha volta me mirando. Alucinava. Pensei ver morena séria, encostada no outro homem assistindo a minha convulsão de morte. Me sentei no chão, tonto, observei que apensa o garoto de doze anos e uma das loiras me mirava. A outra loira estava de costas olhando a rodovia. Peguei na minha arma, a insanidade da proximidade da morte havia tomado conta de mim, não havia razões para atirar contra eles. Saquei rapidamente e atirei duas vezes sem ninguém ter reação, uma no olho direito do garoto e outra na testa da loira. O homem e a morena se afastaram num empurrão e foram ao alcance de suas armas. Eu era rápido até quase morto. Um tiro na cara do homem e dois da morena no meu peito, caí deitado e atirei na outra loira que terminava de se virar e me mirar. Ela caiu e eu senti todos os meus músculos se contorcerem, uma breve perda de consciência, não conseguia segurar minha arma, o sangue no asfalto parecia correr pelo meu nariz, mas era apenas o cheiro, senti frio.

Depois das três investidas nos posicionamos de maneira organizada e nenhuma outra surpresa aconteceu. Cinco investidas, nove investidas, doze investidas, corpos e cartuchos no caminho das costas e o fim do engavetamento na rodovia podia ser avistado. Só o barulho dos galhos se quebrando, nenhum gemido estridente. Foi nessa medida de tempo que aconteceu o que aconteceu em seguida. Andávamos em fila, nos distribuindo na ordem homem, loira, loira, garoto, a morena e eu. Paramos por um instante e eu me adiantei um pouco na fila para ver se o garoto não estava se matando de andar. Um gemido. Virei-me rápido e vi feridas na face do animal, dentes podres, e as mãos dele segurando meus ombros, puxando para se alimentar. Onde estava a morena? Puxei o braço esquerdo para cima empinando o queixo dele para evitar os dentes e puxei minha pistola engatilhada com a mão direita rumando a cabeça do infeliz. Foi quando o queixo dele escorregou e ele cravou os dentes no meu braço arrancando fora um pedaço considerável. A dor foi imensa, quase ao ponto de me impedir de descarregar uma bala na cabeça dele. Quando o animal tombou, morena estava lá em pé, senti-me aliviado, ela estava com a arma abaixada e com um olhar sério perdido no rosto, senti-me confuso. Continuamos a caminhada.

Tudo era confuso, eu senti fome. Avancei de uma vez contra morena, ela atirou algumas vezes, mas nenhuma na minha cabeça. Eu agi como um animal. Bati a arma para fora da mão dela e segurei a cabeça dela para morder. Senti tanta fome, foi como morder um pedaço de frango nas paradas para comer. Ela puxou a cabeça e me empurrou pelo peito, mas não foi suficiente, mordi um pedaço delicioso do nariz dela fora. Ela gritava e sangrava bem no meio da cara. Eu arregalei os olhos com satisfação e investi novamente. Arranquei dessa vez um pedaço da bochecha dela e ela caiu no chão. Me sentei sobre a morena e mordi fora suas orelhas, uns pedaços do seu pescoço, seus lábios, tudo isso enquanto ela parecia uma epilética embaixo de mim. Cansei-me dela e levantei, ela nem se movia. Longe dali vinham alguns soldados com botas, aqueles desgraçados, seria ótimo comer um pedaço de cada um deles, disparei na direção deles gritando. Talvez pingasse sangue do meu queixo, não importava, só queria um pedaço deles. Ouvi tiros.

Por yagosantanna.

” Analisando-se transtornos psiquiátricos comportamentais e tomando-se como rédea o transtorno dissociativo de identidade tem-se o quadro geral das idéias prestes a serem repassadas por aqui, o qual é contrariado apenas no fato da coexistência simultânea de duas personalidades que indicam, através deste, o modelo de cabresto que os foca, tornando improvável a aplicação correta da análise referida. “

Bem, traduzindo, o conceito do blog é basicamente o seguinte: vamos propor um tema diferente todos os dias, e cada um de nós fará um texto ( quirino! e yagosantanna ). Vamos colocar o tema e alguma informação adicional sobre os textos sempre no dia seguinte, em um post antes dos contos do dia…

Não sei em relação a vocês, mas eu estou me divertindo muito com isso! hahah.

Abraços, quirino! e yagosantanna.

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Tema do dia 18 de janeiro

Tema central: Abuso sexual

Cenário: Metrô

Módulo de insanidade: Japonês.

Os vinte e dois metros de escadas que ligavam a rua ao interior da estação de metrô eram transpostos rapidamente em um ritmo frenético auxiliado sonoramente pelos passos apressados de centenas que batiam em desequilíbrio suas vontades e pelas moedas que cintilantes colidiam no chão e nos balcões que autorizavam as entradas e aproximação ao caixote de ferro e vidro que carrega uma multidão em frenesi por debaixo de toda a cidade, em seu próprio emaranhado de direções. No meio do refluxo de pernas se moviam dois pares em específico. Dois protagonistas, dois prestes a se relacionarem na conseqüência da vida conjunta em massas, dois dos sexos opostos, dois pares de pernas direcionados por dois pares pés.

Por dois serem segregados em sexos opostos para ela fica “a” protagonista e para ele fica “o” protagonista, ambos encenando junto o mesmo espetáculo. Entretanto para a encenação são necessários mais que dois pares de pernas. Para ela um par de saltos baixos, um par de seios fartos, um único pescoço longo, um único suspiro, o cabelo curto, um par de mãos segurando uma única bolsa e o, mais importante, par de calças. Para ele sobram as mãos, o queixo e a barba rala, a boca e os dentes e um par de olhos atentos.

O rio movido por seres viventes rumava em direção às portas que se abrem e fecham sozinhas constantemente autorizando ou impedindo a passagem daqueles que desejam adentrar o caixote de ferro e vidro para serem levadas por debaixo dos outros. Os dois caminhavam juntos um ao lado do outro trocando toques de cotovelos e ombros forçados pela pressão aplicada em função da força e da área ocupada pela multidão. As mãos dele suavam de nervosismo e ela permanecia inerente a sua participação no espetáculo que se aproximava, movendo apenas seu par de saltos na direção comum de todos os outros pares que locomoviam outros.

Atravessadas as portas, as posições começavam a ser preenchidas e o aglomerado desorganizado começava a tomar o lugar do pretendido padrão de organização. Ela se pôs forte encostada ao ferro que ligava o chão ao teto do caixote uma das mãos em volta do cano voltando ao encontro da outra na alça da bolsa, uma perna mais dobrada que a outra para dar apoio e o pescoço longo que se movia em pequenos gestos que indicavam os novos toques de quem se apertava ao seu lado. Ele havia se colocado estrategicamente atrás dela, se matinha fixo pelas forças do aglomerado e contava os segundos coçando o queixo e a barba com uma mão e posicionando a outra em direção a protagonista, mão que seria lançada pelo balançar do caixote.

Não havia mais sons de passos ou das moedas, agora só havia o zunido das rodas arrastando o caixote, som que permaneceu unânime até que o caixote deu um tranco e o aglomerado em seu interior foi movido sutilmente. A mão dele foi lançada e encontrou o par de calças dela, uma tomada de fôlego assustada e breve caracterizou o suspiro, a barba coçou mais uma vez e a mão que coçava se lançou em encalce da outra. Movimentos com as mãos, pares de pernas se aproximando, pares de calças se encontrando. Os dentes dele nas costas delas, as mãos dela vermelhas de força na alça da bolsa, as mãos dele dando voltas pelo par de calças dela, pela frente e por trás, os olhos dele davam voltas sempre atentos e apreciavam onde as mãos trabalhavam, o tempo ficando mais longo, o pescoço tremia e mostrava gostas de suor, a barba no pescoço, as mãos na frente e as calças atrás, a mão dela vermelha e a outra dentro da bolsa, dois zíperes pertencentes a dois pares de calças sendo abertos, apenas um aberto deixando em ordem de seqüência os pares de calças dele, a mão dele, os pares de calças dela, os seios fartos dela e por ultimo, a mão dele. Uma mão se movimentando freneticamente em vai-e-vem, uma mão funda em uma bolsa, o tempo se estendendo, a barba no pescoço, os dentes no pescoço, as mãos na alça e dentro da bolsa e as mãos nos seios fartos e entre os pares de calças.

O caixote balançou de novo anunciando a chegada da próxima estação e o fim do primeiro ato próximo dos protagonistas, todos os pares se afastaram, o caixote parou, as portas se abriram liberando a pressão e ele prosseguiu já se esquecendo dos outros pares dos quais acabara de usufruir e usar para se confortar. Os vinte e dois metros de escadas foram transpostos rapidamente e todos os cenário, idéia, ato e fato deixados para trás na esquina que foi dobrada em direção ao beco, que logo se tornaria ambiente para o segundo ato próximo dos protagonistas.

No beco apenas o par de pernas dele ditava o som até que se ouviu um par de saltos, interrompendo a caminhada dele. Ele voltou seus olhos atentos pelos seus cantos para observar o que vinha e se chocou ao reconhecer os pares de saltos baixos, o par de calças, o par de seios fartos, a ausência do suspiro, o pescoço longo e um mais novo e mais importante elemento: o par de olhos dela, os quais haviam armazenado cuidadosamente os pares de pernas dele, a barba, o queixo, os dentes e as mãos, conhecimento que passava pela cabeça de ambos agora. Das mãos dela viam-se apenas uma na alça da bolsa, enquanto a outra se movia no interior da bolsa. Ele se virou de frente para ela, mostrou os dentes e empinou o queixo, enquanto ela o fitou com os olhos, sacou com a mão de dentro da bolsa a arma de fogo, a qual atirou a carga que penetrou na bochecha direita dele, que caiu no beco.

Agora ela era mãos, bolsa, arma de fogo e sorriso enquanto ele não era, mas o beco era ele, carga da arma de fogo e sangue.

Por yagosantanna

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5:49 da tarde. Como faço para sair da porcaria da 25 de março 6 horas da tarde de um sábado ? Puta que pariu, se não fosse a maldita faculdade eu poderia estar de bobeira em casa… que saco. 5:59 da tarde. Liza acaba de fechar a porta de ferro da pequena loja de relógios falsetas do senhor Woo Pak na 25 de março e segue para a estação da Sé, a rua está intransitável. 6:27 da noite. Porcaria ! a fila para comprar a passagem vai levar séculos… droga, droga, droga. 6:29 da noite. Ninguém viu nada, tenho certeza que aqueles guardinhas mal remunerados que ficam vigiando as catracas estavam conversando… 6:39 da noite. O metrô faz a freagem de costume e suas portas se abrem , Liza é levada para dentro como gados são empurrados para dentro do curral, lhe apertam muito forte, uma mãozada na bunda, uma pegada na cocha… O usual. 6:40 da noite. O metrô começa a se movimentar e logo o condutor avisa; “ Próxima parada, Pedro segundo “. Liza tenta levar a mão ao bolso direito da calça mas todos a apertam, não há espaço para enfiar sua mão pelo bolso apertado, logo ela desiste. 6:41 da noite. Que porra é essa ? Isso é alguém respirando ?. 6:41 da noite. O espaço não é suficiente para que Liza se vire, além de sua altura em nada ajudar nessas horas o metrô hoje está particularmente mais cheio. Inferno. 6:42 da noite. A medida que o metrô vai reduzindo a velocidade para fazer a parada na estação Pedro II a respiração fica mais forte, agora é algo perceptível, é uma respiração ofegante… Algo logo atrás…6:43 da noite. Caralho, será que não vêem que essa porra está cheia ? E outra, quem diabos está fazendo esse barulho ? Outra tentativa frustrada de se virar. 6:44 da noite. O metrô volta a se locomover, e não tarda Liza sentir algo na parte direita da sua bunda. Haha, será que… 6:45 da noite. De fato, é. O maldito canalha a suas costas está se alisando nela e tendo uma ereção. Será que ele está fazendo isso de propósito ou ele se excita fácil ? 6:46 da noite. O metrô começa a frear novamente, e logo as portas se abrem, porém o alívio foi mínimo… Enquanto de um lado saíam alguns, do outro tentavam entrar dezenas. Que estranho, eu nem reparei no condutor dizendo qual era a próxima estação… 6:47 da noite. O trem começa a acelerar. Uma pontada na bunda de Liza. Puta merda, impossível isso ser… A respiração forte agora está bem perto da orelha direita de Liza, ela pode sentir cada puxada de ar do homem. 6:48 da noite. O condutor do trem logo anuncia; “ Próxima parada, Bresser-Moca “. Bem, pelo menos eu só tenho mais 3 estações pela frente…Não tem tempo suficiente para que o canalha chegue aonde ele pretende. 6:49 da noite. Enquanto o trem começa a frear Liza sente fortes empurrões da parte de trás, parece que o homem está tentando mexer o braço ou algo do tipo. O trem para. 6:50 da noite. A medida que o trem vai acelerando novamente Liza pode entender o motivo de tanta agitação; duas mãos quentes lhe pegam pelos quadris e a trazem mais pra perto da ereção incômoda que homem insiste em manter. 6:51 . Ma – Mas que filho da puta, ele acha que pode sair fazendo que quiser assim !? Quero ver o que vai fazer quando eu soltar um grito aqui dentro. 6:52 . O trem começa a frear novamente; esta deve ser a estação Tatuapé… droga, porque diabos esse condutor não avisa ? 6:53 . A mão direita do homem começa a se mover para a parte da frente;  enfim um pedaço visível do infeliz, sua mão tem uma pele morena suave e ele está vestindo uma blusa – pera aí, aonde ele pensa… 6:54 . A mão intrusa logo entra por entre a calça jeans justa e a pele de Liza. 6:55 . O trem para, mas a mão do homem começa a se mover frenéticamente po entre as pernas de Liza, suas pernas logo ficam sem força. Qu – quem ele …  pensa que é ? 6:56 . O movimento do homem por trás de Liza só auxilia em deixa-la pior, por mais nojento e depravado que possa parecer… ela começou a gostar daquilo. Logo ,a vontade de chegar em casa sumiu, e a preocupação com a estação pareceu esvaecer. Liza não sabe por quanto tempo ficou ali naquele posição semi-encolhida ridícula sendo apalpada pelo homem que ela nunca viu o rosto, ela só sabe que quando se deu por si e viu que havia se molhado além do que devia o homem já tinha sumido, e haviam pelo menos umas 5 pessoas no mesmo vagão que ela que a olhavam com cara de desprezo e asco. O tempo, ela não tinha a menor idéia… Porém o condutor, sempre prestativo, logo avisou; “ Próxima estação, Corinthians-Itaquera”.

Por quirino!

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